Jogo: West Ham United F.C. 2x1 Millwall F.C.
Data: 04 de fevereiro de 2012
Competição: NPower Football League Championship
Local: The Boylen Ground (Upton Park)
Público: 27.774 expectadores (e muitos fantasmas)
Em 2009, quando após um largo período West Ham e Millwall se encontraram pela Carling Cup – também conhecida como League Cup -, houve uma tropa de imbecis que invadiu o campo para aparecer na televisão. Para eles, o resultado foi o banimento pela vida dos estádios de futebol, pelo menos nas fronteiras do Reino Unido. Porque o hooliganismo real, depois da reforma empreendida a partir do famoso Relatório Taylor (1989), passou a acontecer e de forma bem reduzida nas ruas – fato registrado também no derby de 2009 – e por razões bem diferentes daquelas atreladas à crise do trabalhismo dos anos 1970: futebol, brigas e bebedeiras eram válvulas de escapa da classe trabalhadora britânica e não um Big Brother com gosto de sangue. Os estádios viraram portos seguros. Com o rebaixamento dos Hammers da Premiership e o acesso dos Lions da League One na última temporada, dois encontros tornaram-se obrigatórios. No primeiro, em setembro de 2011, a histeria chegou ao extremo. Além do justificado aparato policial, a transmissão da partida não foi autorizada e nenhum repórter estrangeiro pode ingressar no estádio. Algumas câmeras foram instaladas, mas apenas para registrar as highlights da partida, que acabou em 0x0. Como não houve nenhum incidente que manchasse a límpido e cristalino futebol inglês, o segundo encontro ganhou a tela. Desta feita, ao invés de esconder, a ideia foi mostrar ao mundo como a Inglaterra lida habilmente com a situação. O mais visível ato foi isolar a torcida visitante na parte superior do The Sir Trevor Brooking Stand e manter vazios todos seus assentos inferiores. No mais, centenas de policiais espalhados pelo entorno do estádio, pubs fechados e mercados (aqueles que quisessem abrir) proibidos de vender bebidas alcoólicas. Resultado: pobres redes midiáticas, ficaram sem uma gota de sangue para lamberem aos gritos de “vergonha”, “brutalidade” ou, como estampou o Express no embate da Copa, “The Night of Shame” e “The Dark Ages”...
Restou o jogo. Esse, ao contrário do comportamento dos torcedores, teve bem cara de anos 70/80. A velha fórmula dos lançamentos longos e cruzamentos pelo alto a partir do bico da área foi o máximo de nostalgia oferecida aos olhos do expectador. Tanto que foi por aí que o jogo se resolveu. Nos descontos do primeiro tempo, falta alçada e Winston Reid raspou de cabeça para trás na entrada da pequena área. Carlton Cole, metido entre os defensores do Millwall, cabeceou para o gol. Com um homem a menos desde os nove minutos graças a questionável expulsão do capitão Kevin Nolan, os Hammers venciam. O empate dos Lions surgiu de um descuido da zaga que via a bola saindo pela linha de fundo e não reparou no esforço de um jogador adversário que a rolou para o meio da grande área. Liam Trotter pegou de primeira e marcou um lindo gol aos 66’. Entretanto, três minutos depois, bola alçada da intermediária. O goleiro David Forde saiu da meta para socá-la e foi atingido no ar por Julien Faubert, que se projetou contra o goleiro do Millwall. A falta não foi marcada e a bola sobrou para Reid chutar de fora da área para o gol vazio. Jeito cruel de perder um derby e de ver a zona de rebaixamento para a League One cada vez mais próxima. Por conta disso e do provável retorno do West Ham a Premiership já na metade de 2012, as sensacionais histórias de violência contadas ao longo da partida ficarão em suspenso por muitos anos. Eu, de minha parte, agradeço.